Programação de quarta-feira (29) inclui práticas corporais e integrativas, além de palestra sobre a temática pela perspectiva dos povos tradicionais 

A UnB é uma universidade promotora da saúde e tem buscado alinhar cada vez mais suas atividades com esse conceito. Arte: DEX/UnB

 

Setembro é o Mês de Valorização à Vida e da Prevenção ao Suicídio. Além de debatido ao longo do ano, o tema da saúde mental também ganha maior destaque neste período em ações da Universidade de Brasília, entre elas a Semana Universitária 2021, que acontece de forma remota entre 27 de setembro e 1º de outubro. Como tradição consolidada nas duas últimas edições do evento, a programação de quarta-feira (29) será totalmente dedicada à saúde mental e ao bem-estar.

 

Todas as atividades serão virtuais – ao vivo ou gravadas –, transmitidas pelo canal Extensão UnB no YouTube. O dia se inicia com palestra, às 9h, sobre Saúde das Comunidades Tradicionais em Tempos de Pandemia, com profissionais indígenas de diferentes etnias e representantes de povos tradicionais. Práticas integrativas e corporais são foco das ofertas, que incluem oficinas de Dança Viva Escrita criativa e curativa e atividades como alinhamento energético, aromaterapia e hatha yoga. 

 

A Política de Direitos Humanos da UnB também estará em debate em oficina, às 14h30, com mediação da decana de Extensão, Olgamir Amancia, para a elaboração do plano de ação de 2022 junto à comunidade acadêmica. Esta atividade será transmitida pelo canal da UnBTV no YouTube.

 

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ESCRITA CURATIVA – Em 2020, mais de mil estudantes recém-ingressos na Universidade que cursaram as disciplinas Prática de Textos, Leitura e Produção de TextosPortuguês Instrumental e Oficina de Produção de Textos, ofertadas pelo Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas (LIP), foram atendidos com a metodologia de escrita criativa. Além disso, outras mil pessoas da comunidade externa participaram do curso de extensão Escrita criativa e consciência linguística, realizada pelo LIP em parceria com a Coordenação das Licenciaturas do Decanato de Ensino e Graduação (CIL/DEG).

 

Com a repercussão positiva das atividades, a oficina de Escrita criativa e curativa foi incluída na programação da Semana Universitária deste ano. Ellys Alves, terapeuta vinculada ao grupo de pesquisa Gecria, estará à frente da atividade. Ela explica que a escrita curativa é um processo particular para cada participante: “Tudo o que é curativo é pessoal, individual, está a serviço da individuação do ser. E para cada ser, essa escrita se expressa de forma diferente”. Ellys afirma que o método é uma das formas de tecer o retorno ao “centro” dos indivíduos, sendo possível, durante o processo, sentir leveza e restabelecer a força criadora de cada um.

Para Ellys Alves, a escrita curativa é “uma das ferramentas terapêuticas de expressão do oculto que habita em cada um, de conteúdos do inconsciente”. Foto: Arquivo pessoal

A intenção da prática é focalizar a escrita criativa como estratégia de amparo emocional. “Isso vai apoiar as perdas, as dores, os medos e os desafios do momento, sob a perspectiva da escrita curativa sistêmica”, explica a professora do Instituto de Letras (IL/UnB) Juliana Dias, que trabalha na educação, com foco em leitura e escrita autoral, há 26 anos.

Ela explica que a partir da jornada de autoconhecimento da escrita, engajamento e consciência estilística, é possível desenvolver uma autoria com repercussões muito positivas na escrita acadêmica.

 

São trabalhadas dinâmicas individuais e em grupo para atuar nos conflitos socioemocionais ligados a crises e perdas vividas nos últimos meses. “Dedicamos tempo de acolhimento dos textos produzidos nas comunidades de escrita e de leitura. Elencamos uma bibliografia baseada nos pressupostos da contoterapia, de modo a alinhar as necessidades do grupo com leituras sintonizadas com seu momento”, detalha a docente.

 

A professora também afirma que, por vezes, as pessoas se sentem inferiorizadas por vozes internas que julgam sua própria escrita e seu texto, o que provoca desânimo em relação a processos autorais. “Algumas vezes, essas vozes nos fazem até mesmo querer desistir de nossa própria escrita. Nossa luta é para trazer estes ‘fantasmas’ à tona, pois eles estão cristalizados em crenças e massacram nossa presença e vontade em relação à nossa própria ‘palavra-texto’”, diz.

 

“A oficina, mesmo sendo no formato virtual, é uma forma de nos aproximarmos do que é simples. De enxergarmos no outro, aconchegos para nossa alma”, ressalta Ellys Alves. A docente conta que a atividade se conecta com saberes acadêmicos e tradicionais à medida que rompe com a unilateralidade no pensar, no agir e no fazer. “Abre a nossa visão e postura para outros olhares, outras vivências, outras formas de conduzir nosso aprendizado. Se [a escrita curativa] rompe com o que é unilateral, e nossas crenças podem ser vistas assim, [os saberes acadêmicos e tradicionais] podem, aos poucos, se abrir para essa 'composição singular de universais', que somos nós”, acredita.

Larissa Polejack, diretora da Dasu/DAC, explica que os esforços da UnB para cuidar da saúde mental da comunidade são um trabalho que dura o ano todo. Foto: Audrey Luiza/Secom UnB

 

SETEMBRO AMARELO – Com o slogan De setembro a setembro, a UnB, como uma universidade promotora da saúde, busca trabalhar a questão da saúde mental durante o ano todo, alinhando suas atividades dentro desse conceito.

 

Em especial durante a pandemia do novo coronavírus, que trouxe perdas de entes queridos e um cenário delicado para as relações sociais, a instituição procura investir ainda mais em garantir boas condições de trabalho e aprendizado para seus estudantes, técnicos e professores.

 

Larissa Polejack, que está à frente da Diretoria de Atenção à Saúde da Comunidade Universitária (Dasu/DAC), afirma que as iniciativas promovidas na Semana Universitária são fundamentais para a promoção à saúde, principalmente levando em consideração o momento de pandemia vivido pela sociedade. “É muito importante lembrar de olhar para o ser humano como um ser integral: não só a saúde física, mas também a saúde mental.”

 

“A capacidade de ouvir, acolher e de nos colocarmos disponíveis para ações de apoio e ajuda faz toda a diferença, e isso é uma habilidade que todos possuímos”, avalia Polejack. Para a diretora, o evento é um reforço do compromisso da Universidade com o cuidado da comunidade.

 

Além da programação na Semana Universitária, a instituição, por meio da Dasu promoveu, de terça (21) a esta sexta-feira (24), a Semana de Conscientização sobre Promoção de Saúde Mental e prevenção ao suicídio na UnB, com a ampliação do debate sobre cuidado e prevenção em situações de sofrimento psíquico.

 

*estagiária de Jornalismo na Secom/UnB

 

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