Projeto digital viabilizou continuidade da mostra artística. Número de acessos ao acervo on-line da CAL cresceu durante a pandemia

As obras da exposição Triangular: Arte deste Século foram doadas à Universidade de Brasília. Foto: Beto Monteiro/Secom UnB

 

Inaugurada em dezembro de 2019, a mostra Triangular: Arte deste Século, que estava aberta à visitação na Casa Niemeyer, teve que se reinventar diante da pandemia de covid-19. Palestras, shows e rodas de conversa cederam lugar às postagens, lives e performances virtuais. As principais atividades concentraram-se no perfil no Instagram do espaço cultural da UnB, ligado à Casa de Cultura da América Latina (CAL/DEX).

 

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Em função da diversidade de suportes da exposição (pinturas, gravuras, vídeos, esculturas, fotografias e instalações), foi necessário implantar um projeto piloto experimental. "Estudamos a presença contemporânea dos museus de arte na internet para oferecer um conteúdo de qualidade ao público", revela uma das curadoras da mostra e professora do Departamento de Artes Visuais da UnB, Ana Avelar.

 

Com apoio de artistas de todo o Brasil, incluindo docentes e discentes da UnB, a exposição Triangular, considerada a melhor coletiva institucional de 2019 pela Revista Select, foi planejada para formar uma coleção para a Casa Niemeyer. "Enquanto museu universitário, nosso objetivo é nos tornarmos um espaço de formação, pesquisa e comunicação de arte contemporânea único no país", almeja a docente.

 

As peças expostas foram doadas à Universidade pelos artistas e passaram a integrar o acervo da CAL. Como contrapartida, foi realizado um planejamento de divulgação, que se concentrou nas redes sociais. "As ações têm sido mais frequentes e animadas. A atuação virtual tem possibilitado grande visibilidade para cada artista, assim como para conhecer sua importância na história da arte brasileira", opina o diretor da CAL, Alex Calheiros.

"A arte nos traz outras realidades possíveis. Arte é para todos e todas", reflete a docente Ana Avelar. Foto: Arquivo pessoal

 

"A expectativa agora é ampliar a iniciativa para outras plataformas para que possa ser explorada por diferentes tipos de públicos e pesquisadores, a partir de múltiplas facetas, discursos, temas, suportes", vislumbra Ana Avelar. Até o fim do ano, deve ser lançado um catálogo em formato digital e gratuito não apenas das peças, mas também das atividades on-line da exposição.

 

INTERAÇÃO NA PANDEMIA – Para contornar a ausência do público durante o período de isolamento social, foi criado o projeto Casa Niemeyer Digital, que possibilitou a continuidade da exposição e a ativação do educativo em ambiente digital.

 

Alex Calheiros afirma que já existia um trabalho de digitalização do acervo, especialmente com a utilização da plataforma Tainacan, mas esse esforço foi intensificado nos últimos meses. Desenvolvido pela Universidade, o software é atualmente adotado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e várias universidades já demonstraram interesse em utilizá-lo.

 

"Isso revela que nossa atuação, aqui na UnB, tem um caráter bastante global, que vai desde a inovação em novas tecnologias até a guarda e preservação. Buscamos construir conhecimento a partir desse acervo que está sob nossa responsabilidade, como um compromisso com a comunidade e com os artistas que doam suas obras", assegura Calheiros.

 

De acordo com relatório produzido pela CAL, o número de visualizações da plataforma cresceu mais de 20% no período da pandemia. Entre setembro de 2019 e fevereiro de 2020, foram 4.755 e, entre março e agosto de 2020, 6.169. No total, o site recebeu a visita de mais de 2.600 usuários, inclusive de outros países.

Para Alex Calheiros, o museu precisa adotar uma interação crítica com o público e os artistas. Foto: Beto Monteiro/Secom UnB

 

MATCHES E LIKES PARA GUANABARA – Uma das iniciativas do projeto digital foi a criação do perfil da Casa Niemeyer no Tinder, a Guanabara – escultura de Alfredo Ceschiatti. Trata-se de uma maneira inusitada de divulgação do museu.

 

A ideia de incluir a obra como musa da Casa na rede social de paquera tem o objetivo de pensar novas possibilidades de posicionamento dos espaços de cultura e arte. "Isso é algo que outras instituições culturais no mundo têm feito; uma brincadeira para chegar a um público mais descolado, usando, nesse caso, uma linguagem própria dos aplicativos de relacionamento", explica o professor Alex Calheiros.

 

Embora reconheça os desafios e a importância do contato presencial, o diretor da CAL acredita que é preciso complementar e potencializar o trabalho das instituições culturais. "Um bom museu é aquele que reflete sobre seu acervo, provoca debate, produz conhecimento e forma seu público. Essa interação é a dimensão da extensão, da ação comunitária, mas que também envolve ensino e pesquisa."

 

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