Polo pretende fortalecer programas e projetos na Cidade Estrutural

Fortalecer espaços em que a extensão acontece e estimular a comunidade a conhecer a Universidade de Brasília é um dos maiores objetivos do Decanato de Extensão. É nesse sentido que está sendo articulado o Polo de Extensão da Estrutural, que vai reunir programas e projetos de extensão que acontecem na Cidade Estrutural, cidade-satélite com cerca de 40 mil habitantes, de acordo com a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan).


O objetivo do Polo é mudar o perfil da extensão na Estrutural, trazendo um processo dialógico de construção conjunta. Isso porque os moradores da cidade não sentem uma conexão com os professores e estudantes que têm projetos no local. “A gente reclama que o professor vem, faz o projeto e vai embora. Muitas vezes a população nem sabe que está sendo pesquisada”, diz Maria Abadia Teixeira de Jesus, que mora na Estrutural desde 1997, e tem uma parceria de mais de dez anos com a UnB.

 

Abadia e as Conquistas, moeda que circula apenas na Estrutural. Foto: Guilherme Alves/DEX.

Conquista3

Abadia é costureira, catadora, alfabetizadora e militante do Movimento de Mulheres na Vila Estrutural. Ela esteve à frente da criação do Banco da Estrutural, da Biblioteca Comunitária, iniciou a parceria para a criação do Ponto de Memória e a Editora Popular leva seu nome. Esses quatro projetos serão institucionalizados em um programa de extensão.


Ponto de Memória


O Ponto de Memória da Estrutural é um museu popular gerido pelos próprios moradores, com foco nas narrativas e na identidade de quem mora na cidade. O projeto foi criado a partir do Programa Ponto de Memória, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) do Ministério da Cultura, que escolheu 12 cidades com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para as ações de reconhecimento e valorização da memória social.


O objetivo do programa é melhorar a qualidade de vida da população e fortalecer as tradições locais e os laços de pertencimento, além de impulsionar o turismo e a economia local, contribuindo positivamente na redução da pobreza e violência. Atualmente, o museu não tem um espaço fixo e funciona em uma casa alugada.


A professora Silmara Kuster, da Faculdade de Ciência da Informação (FCI/UnB) começou a trabalhar com extensão na Estrutural em 2010, com o projeto “Conservação do Acervo do Ponto de Memória da Cidade Estrutural”, com o objetivo de preservar a memória cultural local. A parceria começou durante o V Fórum de Museus, e a ideia do Ponto de Memória era articular a comunidade para trabalhar sua história. “É um museu que conta as narrativas da comunidade. Não é aquele museu em que eles chegam e já está tudo pronto”, explica.


Banco Comunitário


Da organização interna da comunidade surgiu o Banco Comunitário Estrutural, um fundo para emprestar aos moradores e manter o dinheiro circulando na própria cidade. A moeda própria foi batizada de Conquista, e equivale a R$ 1, mas só pode ser usada dentro da Cidade Estrutural. Agora, os moradores também usam moeda a partir da Plataforma E-Dinheiro, um aplicativo para celulares usado pela Rede Brasileira de Bancos Comunitários, que articula os 103 bancos que existem no país.


O que os moradores gastam fica concentrado onde eles moram. “As pessoas tem que passar a comprar mais na Estrutural, em vez de comprar fora”, diz Abadia. A ideia é promover o desenvolvimento de territórios de baixa renda, através do estímulo aos produtores e comércios locais. O Banco surgiu a partir da mobilização do Fórum de Economia Solidária do DF e Entorno e da Associação de Moradores da Cidade Estrutural pela economia solidária. “A gente quer que a riqueza produzida fique por aqui”.


Editora e Biblioteca


A comunidade sentiu a necessidade de criar uma biblioteca comunitária num momento em que não havia escolas na cidade. Foi assim que Abadia começou a criar a Biblioteca Comunitária da Estrutural. Os primeiro livros da biblioteca eram encontrados e reaproveitados do lixão. A Biblioteca passou um período inativa, mas agora tem espaço próprio, em um prédio que está sendo reformado para abrigar os mais de cinco mil volumes que Abadia já reuniu, fruto de doações. No fim de junho, a Biblioteca Comunitária recebeu uma doação de vários exemplares de livros organizados pela professora Iracilda Pimentel Carvalho, Diretora de Desenvolvimento Social e Integração Regional do DEX.


A Editora Popular Abadia Catadora foi criada após uma oficina de edição de livros, oferecida por integrantes da editora argentina Eloisa Cartonera, que inspirou moradores da cidade a criar a própria editora, homenageando em seu nome a catadora Abadia. Almir Gomes é editor-chefe da editora, que produz livros artesanais com capas de papelão adquirido com os catadores, e tem o objetivo de popularizar a leitura entre os moradores.

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